terça-feira
22.12.2009_ Segundo Gabriel Torres netbooks e redes sem fio vieram para ficar
Um dos mais conhecidos especialistas em hardware do País, Gabriel Torres é autor de 18 livros na área. Seu mais recente lançamento, "Redes de Computadores"
Um dos mais conhecidos especialistas em hardware do País, Gabriel Torres é autor de 18 livros na área. Seu mais recente lançamento, "Redes de Computadores" é uma "bíblia" de 832 páginas sobre o assunto. Nele, o autor auxilia de forma prática não só os técnicos, mas os usuários que, por exemplo, pretendem montar uma rede de computadores em casa. O Tecnoguia entrevistou o especialista, que dá boas dicas aos leitores
Qual configuração você recomendaria para o usuário doméstico que deseja começar 2010 com uma máquina nova?
A que couber em seu bolso. Hoje, mesmo o computador mais simples tem poder de processamento de sobra para rodar as aplicações que os usuários domésticos precisam (processamento de texto, navegação na internet, e-mail, apresentações etc). O caso só muda de figura se você for usar seu computador para jogos, pois você precisará gastar em uma boa placa de vídeo.
Os netbooks, com seus recursos limitados, vieram para ficar? Você acha que eles oferecem uma experiência computacional de qualidade ou não passam de uma onda?
Vieram para ficar, especialmente no Brasil, onde por conta dos pornográficos custos de importação tudo custa pelo menos duas vezes mais do que no exterior. Obviamente, os modelos mais simples parecem mais com o "laptop da Xuxa" do que um computador de verdade. Mas os modelos mais caros continuam mais baratos do que os notebooks, com bom desempenho.
E quanto ao software, como você avalia a chegada do Windows 7? Você recomenda a migração para o novo sistema?
A Microsoft é a única empresa que conheço que vende produtos que não funcionam a contento e depois obriga o usuário a comprar o "conserto". Infelizmente, no mercado de informática os grandes "players" tornam produtos bons obsoletos de propósito só para que eles possam te vender uma versão nova que você não precisa. O Windows 7 deveria ser dado de graça para quem comprou o Vista. Ter o sistema operacional mais recente não necessariamente significa benefícios, pois você terá de aprender a usar novos recursos, gastará tempo e dinheiro na migração. E especialmente quando o sistema é novo, novas vulnerabilidades são descobertas a cada dia. Sinceramente, porque a Microsoft não vende o Windows XP baratinho (tipo R$ 50), agora que o carro-chefe é o Windows 7? Com certeza isso diminuiria a pirataria.
Com as fontes modernas nos computadores e outros equipamentos, o uso de estabilizador é realmente necessário?
A não ser que a eletricidade onde você more varie loucamente não há mais necessidade em se usar estabilizadores de tensão, até porque os estabilizadores vendidos no mercado abaixo de R$ 50 não funcionam corretamente (não é possível fabricar um estabilizador de boa qualidade custando tão pouco). Se você tiver uma fonte de alimentação com circuito PFC ativo (e, consequentemente, seleção automática de tensão), o uso do estabilizador não é necessário.
Qual tecnologia de acesso à internet você acredita que pode oferecer a melhor solução para a expandir e democratizar a banda larga no país? Você acredita que a tecnologia PLC, de acesso via rede elétrica, pode ser uma boa solução?
Tem de ser uma tecnologia de grande alcance e sem fio, e a tecnologia WiMax atende a esses requisitos. A tecnologia de acesso via rede elétrica nunca passou do estágio experimental porque há várias limitações na rede elétrica que possivelmente nunca permitirão o uso desta tecnologia em larga escala. Alguns exemplos: o encapamento dos fios da rede absorve sinais de alta frequência; junções de cabos, transformadores, relógios medidores e o liga-desliga de eletrodomésticos fazem com que a carga da rede varie muito, criando inúmeros pontos de reflexão de sinal; transformadores e medidores simplesmente bloqueiam sinais de alta frequência, impedindo a transmissão de dados... O custo de se corrigir esses problemas é bem maior do que simplesmente instalar uma antena na região.
Em seu livro, você dedica um capítulo à segurança. Entre as opções de acesso sem fio, quais delas podem deixar os usuários mais vulneráveis?
Se o usuário tiver uma rede sem fio em casa ou no escritório, ele tem de obrigatoriamente habilitar o padrão de criptografia WPA2, pois os protocolos anteriores (WEP e WPA) são facilmente quebráveis através de programas disponíveis na internet. O problema maior é que muitos usuários sequer habilitam qualquer tipo de criptografia em suas redes sem fio.
Com o aumento dos dispositivos móveis em uso - como netbooks e smartphones -, como fica a segurança dos dados do usuário nessas redes sem fio? As redes 3G são seguras?
Segurança tem mais a ver com procedimentos do que com tecnologia. Do ponto de vista tecnológico, as redes 3G são seguras, bem como redes domésticas e comerciais, desde que usando o protocolo WPA2. Mas não adianta ter o sistema mais seguro do mundo se você usa senhas do tipo "123456" ou data de aniversário, ou então clicar em e-mails do tipo "clique aqui para recadastrar sua conta corrente". Lembrando: é muito mais fácil clonar um cartão de crédito no mundo real do que na internet.
Durante algum tempo, a evolução do hardware dos microcomputadores era avaliada através do clock dos processadores. Os fabricantes viviam lançando chips cada vez mais velozes. Hoje, quais são os parâmetros para se avaliar esse avanço?
Antigamente, quando os processadores de diferentes fabricantes eram internamente completamente idênticos. O clock podia ser usado como medida de velocidade, pois os processadores funcionavam da mesma forma. Mas desde o lançamento do primeiro processador Pentium, em 1993, isso passou a não ser mais verdade. Mas o equívoco de se comparar processadores pelo clock perdurou. Felizmente, os fabricantes corrigiram isso recentemente, passando a divulgar os processadores com um "número de modelo" em vez do clock. Passar da barreira dos 4 GHz de clock passou a ser um grande desafio e, portanto, os fabricantes resolveram efetuar mudanças na arquitetura dos processadores para aumentar o desempenho, em vez de simplesmente continuar aumentando o clock. Atualmente, a guerra entre os fabricantes é diminuir o tamanho dos componentes dentro do processador, o que aumenta a velocidade e reduz o consumo. O próximo passo nessa guerra é o desenvolvimento de processadores com tecnologia de 32 nm.
Matéria disponível em http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=708852
Fonte: Diário do Nordeste
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